Notícias

Home » Notícias » O Globo: Levantamento do Setrerj mostra que linhas que vão para o Rio são as mais assaltadas

17/02/2017

O Globo: Levantamento do Setrerj mostra que linhas que vão para o Rio são as mais assaltadas


Um relatório compilado pelo Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) e obtido pelo GLOBO-Niterói mostra em detalhes o que o morador já sabe: entrar e sair da cidade de ônibus se tornou uma atividade de risco. Os dados listados pelo sindicato, que reúne empresas de cinco municípios (Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá e Maricá), apontam que linhas intermunicipais são mais visadas pelos assaltantes do que as que percorrem apenas vias municipais. Em 2016, a Auto Viação 1001, que opera 14 linhas intermunicipais entre Rio e Niterói, contabilizou 76 assaltos, uma média de seis casos por mês. Outra importante companhia que liga os dois municípios, a Viação Pendotiba contabilizou 25 assaltos no mesmo período.

A comparação dos números com anos anteriores não é possível porque o Sistema de Acompanhamento de Frota em Emergência (Safe) começou a funcionar em julho de 2015, explica o superintendente do Setrerj, Márcio Barbosa. Os dados, porém, reforçam os registros oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP): nas cinco delegacias de Niterói, foram registrados 391 roubos a ônibus em 2016, uma alta de 78% em relação aos 291 de 2015. Este ano, segundo o Setrerj, já houve, até segunda-feira passada, 81 roubos.

Foto: O Globo

Segundo Barbosa, o Safe foi montado pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio (Fetranspor) porque se constatou um aumento grande do número de assaltos no primeiro semestre de 2015. Desenvolvido em parceria com o Disque-Denúncia, o Safe registra todos os detalhes da ocorrência e aciona as forças de segurança pública. A partir dos dados gerados pelo programa, o Setrerj contabilizou 931 assaltos a seus ônibus no ano passado. Algumas empresas não aparecem no relatório, entre elas a Expresso Garcia, que opera as linhas intermunicipais 709 (Charitas – Candelária), 750 (Santa Rosa – Estácio), 565 (Santa Rosa – Passeio) e 703 (Santa Rosa – Vila Isabel), as duas últimas também com frescões. De acordo com Barbosa, se a empresa não está na lista é porque seus coletivos não foram assaltados. Ele explica que não há sub-notificação dos casos, uma vez que a divulgação dos números é do interesse das companhias. O superintendente do Setrerj enfatiza ainda que os intermunicipais são mais visados pelos ladrões:

— As tarifas são mais altas, o que atrai os criminosos.

Algumas linhas são especialmente perigosas. A 740D (Charitas – Ipanema), da Auto Viação 1001, foi mais assaltada em 2016 (16 casos). Em seguida vem o frescão da linha 760D (Charitas – Galeão), com 15 registros; seguido por 775D (Charitas – Gávea, via Lapa), com 11 casos; e a linha 910, o frescão do Itaipu – Castelo, com oito roubos. Na Viação Pendotiba, os assaltos aconteceram principalmente nas linhas 38 (Itaipú – Centro) e 770D (Itaipu – Candelária), com seis casos de assalto cada. Logo atrás vem o 771D (Pendotiba – Candelária), com cinco casos. A viação Rio Ita, que faz trajetos mais longos, saindo de Itaboraí e passando tanto pela Niterói – Manilha como pela Alameda São Boaventura, foi a empresa que mais registrou assaltos em 2016. Foram 379 casos. A maior incidência foi no frescão da linha 926D (Venda das Pedras – Candelária), com 26 registros.

Pessimismo do setor

Barbosa ressalta que, se 2010 foi ruim, 2017 também não começou bem. De acordo com ele, foram 69 assaltos em janeiro, mais que o dobro dos 33 casos registrados no mesmo período do ano passado. Até a última segunda-feira, o Setrerj contabilizava 12 assaltos. Na totalidade de fevereiro de 2016, foram 63:

— O número de assaltos tem aumentado muito. Infelizmente acho que vamos bater os números de 2016 neste ano.

Obrigado a pegar ônibus diariamente até o Rio, Diego Brito se tornou parte das estatísticas de 2017 na última terça-feira. Ele pegou um frescão da Viação 1001 na Praia de Piratininga. Até deixar Niterói, a viagem estava tranquila, mas, na chegada ao Rio, no trecho entre o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e a Rodoviária Novo Rio, dois homens entraram no ônibus e anunciaram o assalto.

— Pelo menos um estava armado. O outro não consegui ver, porque estava na contenção do motorista. Eles disseram que tinham uma granada, mas não a vi — conta Diego. — Assaltaram todos os passageiros, levando celular e aliança de quem tinha.

Depois do assalto, Diego avalia trocar os ônibus pelas barcas. Isso, porém, significa mais baldeações, o que ele gostaria de evitar.

— Essa linha está muito visada. Na verdade, esse tipo de ônibus, frescão, está sendo assaltado direto — avalia ele. — Inclusive, vim conversando com um passageiro que desceu no mesmo ponto que eu. Ele disse que tinha sido assaltado no 1001 na semana passada.

O jornalista Leonardo Silva, que já fora assaltado há cerca de dois anos, num frescão da linha 740, da Braso Lisboa, voltou a ser vítima num coletivo da linha 775, o Gávea, via Lapa, da Viação 1001, dia 15 de dezembro, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, quando voltava para Niterói.

— Voltava de Botafogo quando uma dupla fez sinal no último ponto antes de o ônibus virar para a Leopoldina. Um dos homens rendeu o motorista fingindo estar armado e o outro subiu pela porta traseira e pegou os celulares dos passageiros. Foi tudo muito rápido. Algumas pessoas reclamaram, dizendo que o motorista não devia ter parado ao sinal da dupla, mas outras o defenderam — relata.

Polícia Rodoviária Federal: casos frequentes no Caju e na Niterói-Manilha

Porta-voz da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro, José Hélio Macedo diz que os assaltos a ônibus ocorrem com mais frequência na altura do Caju, no Rio, com anúncio do roubo já na Ponte Rio-Niterói; e na BR-101, trecho da Niterói-Manilha próximos à ponte, geralmente, de criminosos que embarcam em São Gonçalo. Morado diz que o combate a este tipo de crime é uma das prioridades da PRF no Rio. Os policiais baseados em Niterói aumentaram em 53% o número de prisões em 2016 em comparação ao ano anterior: foram 377 contra 245, segundo a Delegacia da PRF, baseada na Ponte Rio-Niterói.

— A região de Niterói e São Gonçalo está vivendo um problema mais amplo de aumento na violência, que não é só da rodovia. Isso é notório. Temos intensificado o trabalho da polícia e trabalhado muito com o 7° BPM (São Gonçalo) nos acessos à BR.

Em novembro, a PRF anunciou que aumentaria o número de motociclistas atuando no trecho Niterói-Manilha, que vinha sendo alvo de arrastões. A corporação também estuda deslocar sua base na altura de Itaúna , em São Gonçalo, para uma área mais próxima ao pedágio de Manilha. A unidade foi alvo recentemente de ataques de traficantes.

Compartilhe:
© Copyright Setrerj 2020 | Todos os direitos reservados.